Os 2 maiores mitos sobre alta performance

Ao ouvir sobre alta performance, muitas pessoas imaginam que se trata de um trabalho voltado apenas para pessoas que já são experts em sua área de trabalho ou que querem chegar a ser. Existem 2 mitos ou enganos aí que pretendo desfazer nesse texto.

Mito #1: A alta performance é só para o trabalho

Como já falei em um post anterior, a alta performance é orientada pela ética da aspiração, que afirma que a virtude é a excelência na função humana. Essa ética da aspiração é uma filosofia sobre como viver da melhor forma (com eudaimonia: o viver bem, ter uma vida plena, significativa e com propósito), não sobre como trabalhar.

A ética da aspiração, diferente da ética do dever (que tenta responder questões do tipo: “o que é ou deve ser proibido? O que é ou deve ser permitido? O que é ou deve ser obrigatório?”) começa ao identificar os seus valores: o que você quer defender ou representar na vida, como você quer ser, que tipo de pessoa você aspira ser, como seria a sua melhor versão? Sem identificar esse propósito ou função, não há como desempenhá-lo com excelência.

Embora a atuação profissional certamente seja uma área da vida que pode ser escolhida para se ter um desempenho excelente, ela não é a única. Tudo depende de quais áreas da vida são realmente importantes para você e quais valores você quer trazer para essas áreas.

O número de áreas da vida que você pode ter uma alta performance é igual ao número de áreas que você pode dividir a sua vida, mas incluindo apenas as que você mais se importa.
Se o lazer ou diversão for uma área que você se importa muito e gostaria de trazer os seus valores para ela, ao agir nessa área de acordo com os seus valores, estará tendo uma alta performance. É claro que para ter um desempenho elevado – viver de acordo com seus próprios valores – precisará de prática (e não somente de qualquer prática, mas da prática certa), o que mostra que mesmo para se divertir, você pode precisar fazer esforço. Como diz uma música dos Beastie Boys “You gotta fight for your right to party”, em tradução livre, “você precisa lutar pelo seu direito de festejar”.

Uma pessoa que valoriza ser um bom pai para seus filhos pode ter uma alta performance ao agir de acordo com objetivos guiados por esse valor (o que pode implicar até nessa pessoa ter que rever a forma como utiliza seu tempo e mesmo dedicar menos tempo ao trabalho). Da mesma forma, uma pessoa que valoriza ter uma perspectiva ampla na espiritualidade ou contribuir com a comunidade pode ter uma alta performance ao agir de forma consistente com esses valores.

Para enfatizar ainda mais que a alta performance não se reduz ao trabalho, temos que lembrar que muitas pessoas que “são” workaholics agem assim não por estarem vivendo de acordo com seus valores, mas porque têm o trabalho como a única fonte estável de recompensas, transformando-o em uma forma de fugir das outras áreas da vida. Isso pode ser visto em diversos workaholics quando afirmam que trabalham demais porque o trabalho “é a única coisa em que eu sou bom”. Isso não é viver bem, isso não é eudaimonia ou alta performance. Isso é uma vida restrita e desequilibrada, segundo a própria perspectiva desses indivíduos.

Em relação às diversas áreas da vida, é importante priorizar algumas delas, mas também é importante ter um certo equilíbrio.

Resumindo:

Alta Performance = Agir com excelência = Viver de acordo com os seus valores

Mito #2: A alta performance é só para experts com níveis de habilidade fora do comum

Afirmando o óbvio: o conceito de alta performance é relativo. O que é “alto” e “baixo” depende sempre de uma perspectiva.

Quando falamos sobre alta performance, o critério de comparação mais importante é o seu próprio desempenho, não o das outras pessoas. Alta performance significa você ter um desempenho superior a si mesmo; ou seja, se superar, se elevar, se desenvolver, ser uma versão melhor de você mesmo. Poderíamos, até mesmo, substituir a expressão “alta performance” por “melhor performance” ou “performance superior”.

Para uma pessoa que corre uma hora por dia, conseguir correr uma hora e dez minutos representa uma alta performance. A mesma coisa para uma pessoa deprimida – às vezes, conseguir sair da cama e desempenhar atividades básicas que estavam sendo negligenciadas é um avanço. Nos dois casos, houve progresso.

De fato, muito dos obstáculos para agir com excelência (viver de acordo com os próprios valores) são internos, como a ansiedade, fobia, depressão e outros problemas emocionais que podem ser superados com trabalho terapêutico.

Com exceção de contextos competitivos, onde é claro que o seu desempenho vai ser comparado ao do concorrente, o desempenho dos outros simplesmente não importa. O que importa é você ser melhor do que era ontem. Progredir. Ser uma versão melhor de si mesmo.

E isso em qualquer nível de habilidade. Tanto para atletas ou performers que têm níveis de desempenho extraordinários em campos de atividades específicas (um Muhammad Ali, Kobe Bryant, Maradona, Einstein, Salvador Dalí) quanto para atividades cotidianas “normais” que são consistentes com os seus valores. A alta performance não se resume a ir do 0 ao 10, mas também do -10 ao 0, do 0 ao 1, do 1 ao 2, do 2 ao 3 e por aí vai.

Resumindo:

Alta Performance = Desempenho anterior + melhoria

Conclusão

A alta performance não é restrita somente ao trabalho e nem somente a experts ou aspirantes a experts. A alta performance pode ser alcançada em qualquer área da vida ao agir de acordo com os próprios valores e lutando para ter um desempenho superior ao anterior.

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