Sonificação: introdução
November 11th, 2009 | Published in Cognição Aumentada, Design da Informação, Sonificação | 1 Comment
Conceito
Sonificação é o uso de áudio (principalmente) não-discursivo para transmitir informação ou codificar dados, ou seja, a tradução ou mapeamento de dados em eventos sonoros. Devido as características da percepção auditiva, é uma alternativa interessante para técnicas de visualização, e que pode ser utilizada em diversos contextos, como meio para a cognição aumentada, tanto como substituto ou como complemento da visualização.
Podemos entender a sonificação como a geração de sons dependente de dados, cuja transformação é sistemática, objetiva e que possa ser utilizada de modo reprodutível. De forma geral, o termo é aplicado tanta à técnica, quanto ao processo, o algoritmo e o resultado, embora ao resultado, como veremos abaixo, é mais comum que se dê o nome de apresentação auditiva (auditive display). Da mesma forma que a visualização, a sonificação pode fazer parte do processo de design da informação.
De forma mais específica, podemos considerar sonificação qualquer técnica que usa dados como input, e gera sinais sonoros, se:
- O som reflete as propriedades ou relações entre os dados de entrada;
- A transformação é completamente sistemática, ou seja, há uma definição precisa de como a interação e os dados de entrada causam mudanças nos sons resultantes;
- É reprodutível, ou seja, utilizando-se os mesmos dados e interações, o som emitido tem que ser estruturalmente idêntico;
- O sistema pode ser usado com diferentes dados, e também ser usado repetidamente com os mesmos dados.
Seguindo esses critérios, Thomas Hermann dá um exemplo interessante de como uma sonificação pode ser desenvolvida sem o uso de computadores: um balde exposto à chuva emitindo sons. Os dados sendo medidos são a quantidade de chuva, mensurada pelo nível de água no balde, enquanto os sons emitidos expõem estes dados através de suas diversas características.
Vantagens
Especialmente em contextos que o sentido visual já está sendo bastante carregado, faz sentido considerar o som como uma modalidade para dar uma melhor distribuição da informação. O efeito da modalidade prevê que o aprendizado aumenta quando são usados materiais de instrução de diferentes modalidades sensoriais. Além disso, o som e sua audição tem as seguintes características que podem ser exploradas para codificar dados:
- O som representa mudanças no tempo naturalmente;
- O som permite que microestruturas sejam percebidas;
- O som permite retratar grandes quantidades de dados;
- O som alerta o ouvinte para eventos fora do seu campo de visual atual;
Apresentações Auditivas
Apresentações auditivas (ou apresentações sonoras ou auditory displays ou displays sonoros) são sistemas que usam a sonificação como um subsistema técnico, mas adicionam à equação o usuário, as interfaces (amplificador, alto-falantes, fones) e levam em conta o contexto situacional (ruído do ambiente, tarefa etc.). Ou seja, são sistemas onde uma pessoa dá sentido aos dados usando suas habilidades auditivas.
Tipos de apresentações auditivas
Assim como uma apresentação visual, as apresentações diferem em seu nível de interação com o usuário. Podemos classificar as apresentações auditivas, segundo Thomas Hermann, de acordo com o nível de interação que o sistema permite que o usuário tenha:
- Monitoramento: se não há interação por parte do usuário, o sistema pode ser chamado de sistema de monitoramento, emitindo sons baseados em dados em tempo real ou gravados de uma base de dados;
- Sonificação interativa: o usuário muda os parâmetros da técnica de sonificação ou interage com o módulo de sonificação. O usuário pode controlar diretamente como os dados são representados como sons;
- Navegação: quando o usuário pode selecionar os dados usados para sonificação;
- Biofeedback auditivo: quando a atividade humana em si (mensurada por algum sensor disponível) são os dados são sujeitos à sonificação;
- Atividade humana (suportada pela sonificação): quando a atividade do usuário afeta um sistema que em troca causa alterações nos dados que são o input para o sistema de sonificação.
Exemplos
Os exemplos mais conhecidos de sonificação são o contador Geiger, que mede certas radiações ionizantes, o sonar, que permite saber a localização e forma dos objetos no fundo do oceano, e diversos equipamentos médicos que monitoram as condições dos pacientes.
Para saber mais
- Sonificações: alguns experimentos interessantes;
- The Sound of the MBTA – sonification of Boston subway card swipe data;
- Data Exploration by Sonification;
- SonEnvir;
- Stockwatch, a tool for composition with complex Data;
- Sonification Report: Status of the Field and Research Agenda;
- TED Talks – Julian Treasure: The 4 ways sound affects us.

November 18th, 2009 at 8:07 pm (#)
Olá Luciano, excelente artigo.
Segue uma referência muito boa! Abs
http://tr.im/FfO1 – Correspondência entre sons e a luz. Achei foda. #dynamicsounds