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Visualização como o novo Abstracionismo

September 2nd, 2009  |  Published in Arte, Cognição Aumentada, Design da Informação, Design for Behavior, Visualização  |  1 Comment

Abstracionismo

A arte abstrata é o tipo de arte que tem como objetivo transmitir a qualidade ou propriedade de algo (ou de relações), sem representá-la sob uma forma definida ou figurada. Como linguagem pictórica, podemos falar que é uma forma de oração sem sujeito (formada apenas pelo predicado), por isso, causa uma certa estranheza à primeira vista, fugindo da representação da nossa realidade visível.

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Do ponto de vista psicológico, podemos entender a abstração como o processo no qual ocorre uma discriminação baseada em uma propriedade singular do estímulo (independente de outras propriedades), e ao mesmo tempo, uma generalização entre todos os estímulos com tal propriedade. Quando abstraímos, generalizamos através da redução do conteúdo da informação de um conceito ou fenômeno, para reter apenas a informação que é relevante para o nosso objetivo no momento.

Visualizações

Em visualizações científicas (sciVis), o normal é termos uma figuração, um retrato 3d aumentado da realidade. A visualização científica foca principalmente na visualização de fenômenos tridimensionais, tendo como ênfase a renderização realística de volumes, superfícies e outros atributos físicos e geométricos do fenômeno sendo visualizando.

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Já na visualização da informação (infoVis), o normal é trabalharmos com dados abstratos – dados que não possuem uma representação espacial inerente, não permitindo um mapeamento simplesmente geométrico. Porém, como qualquer outra visualização (começo a pensar que qualquer projeto digital), tem o objetivo de aumentar quantitativamente a cognição através de mudanças qualitativas da percepção (como um dos melhores exemplares, temos a “realidade aumentada”). Como diz Card, a visualização da informação deve fazer pela mente o que os automóveis fazem para os pés.

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Alguns atributos visuais são interpretados mais acuradamente como quantidades (dimensões aditivas), como por exemplo, o comprimento, enquanto outros são interpretados mais acuradamente como qualidades (dimensões substitutivas), como por exemplo, a matiz de cor. Outros ainda são interpretados acuradamente como quantitades e qualidades, como é o caso da posição. Estas abstrações ou variáveis visuais é que são utilizadas quando vamos projetar uma visualização com base em dados abstratos.

Manovich e a arte anti-sublime

Manovich, fazendo uma ponte entre a arte abstrata e a visualização, diz que como parte do modernismo, a arte abstrata reduzia a experiência particular, o específico para o abstrato, reduzindo a realidade para as idéias platônicas. A visualização, do mesmo modo que a arte abstrata moderna, também reduz o conteúdo da informação, mas para que possamos entender padrões e estruturas por trás do imenso e aparentemente aleatório conjuntos de dados que vivemos rodeados.

Manovich, diz porém, que se a arte moderna era em algum sentido (duchampiano) “anti-retiniana” (reduzindo a diversidade da experiência familar do dia a dia à estruturas mínimas e repetidas), a visualização vai no sentido oposto: o mesmo conteúdo pode gerar diversas imagens diferentes. Uma mesma história pode ser contada através de diferentes imagens. A visualização também iria pro sentido oposto da arte romântica. Enquanto os artistas românticos concebiam certos fenômenos como não representáveis, como além dos limites dos sentidos e da razão humana (por serem sublimes), a visualização visa mapear tais fenômenos (complexos, grandiosos) em representações cuja escala seja comparável com a escala da percepção e cognição humana, ou seja, tornar apreensível e material ao olho humano algo que não se consegue conceber.

O trabalho do Jonathan Harris também parece se mover nessa direção. Em seus projetos, procura demonstrar os arquétipos, as generalizações, o quanto as pessoas têm em comum, apesar de suas diferenças.

Notas de Rodapé

Alguns colegas e eu estamos fazendo alguns experimentos de visualizações aqui. Alguns exemplos:

Roberto Michelleti, Honduras
The Top 50 most expensive cities, 2009


Responses

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  1. Visualização: considerações sobre a terminologia :: Luciano Lobato says:

    November 10th, 2009 at 9:23 am (#)

    [...] estamos querendo transmitir é o custo de vida nestas cidades, um dado abstrato. Por isso, que a infoVis pode ser concebida como o novo abstracionismo. Talvez esse abstracionismo tenha algo em comum com a linguagem da mente (o mentalês), hipótese [...]

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